terça-feira, 8 de maio de 2012

perspectiva.


A punhalada pela frente talvez seja mais dolorosa que aquela vinda pelas costas. Não estou considerando, é claro, méritos de quem finca em carne punhal a seco. Porém, ainda que estivesse: ataque por trás é covardia. Em contrapartida, ao ver mão no punhal e sorriso no rosto, já sinto dor física somada à dor da derrota.
O intuito não é ser sujeito de vitórias ou derrotas, mas sim ser predicado, e não prejudicado. A ação sobre a qual recai o sujeito não deve ser ataque de punhal, quaisquer que sejam as perspectivas: de fronte ou de costas. Tal oração não pode, ainda assim, ser início do texto.
O aviso prévio, a introdução à estória que já tinha final definido foi necessária. E, mesmo que não desejasse tal ferimento, agradeço por essa punhalada diária para me alertar. E me culpo por ignorar tais ferimentos como quem usa anestésicos para caminhar descalço em cacos de vidro. Caminhei nos meus, não pisei em ovos, de a cara a tapa e peito à punhalada.
Mesmo que pior, aceito tal perspectiva. Olhe em meus olhos, comemore com afã, sinta meu sangue vermelho-já-não-tão-vivo gotejar em seus sujos sapatos de punhaladas de outrora. Olhe para mim com o sádico sorriso que te caracteriza quando te convém. Tenha dó, mas não deixe de terminar de cravar o punhal em meu peito. Afinal, prefiro morrer inteiro e pleno na punhalada a ficar apenas deficitário, em estado grave sem previsão de melhora. Ou melhor, de piora.