De único, passo a ser muitos. Você vê no raio de sol que em mim incide um arco-íris de sete eus. Ou mais. Ou cem. Ou mais. Não só a mim, enxerga outros, na ânsia do toque da cor que reflete meu prisma. Por que te reflito muitos e não te reflito a reflexão?
Onde deveria ter espelho há parede branca, papel de fotografia de cada pele que insisto em não refletir. Em tantos reflexos, cores sem fim, perco-me de toda e qualquer ilusão de óptica. Sou eu, ponto objeto, foco unitário na imensidão que você insiste em transpassar por mim.
Do azul, carrego tristeza. Do roxo, um hematoma em meu peito. Do amarelo, a luz de seus olhos. Do verde, a trégua. Laranja, monotonia. O rosa do amor. Do vermelho, desejo sem freio, prefiro esquecer, já que dele me lembro e também me corto: vermelho-sangue.
Pudera, seria opaco. Convergência de cores. Absorção total. Como tu és para mim. Porque de nada adianta refletir mil cores se não sei usar minha aquarela. Preto no branco.