De único, passo a ser muitos. Você vê no raio de sol que em mim incide um arco-íris de sete eus. Ou mais. Ou cem. Ou mais. Não só a mim, enxerga outros, na ânsia do toque da cor que reflete meu prisma. Por que te reflito muitos e não te reflito a reflexão?
Onde deveria ter espelho há parede branca, papel de fotografia de cada pele que insisto em não refletir. Em tantos reflexos, cores sem fim, perco-me de toda e qualquer ilusão de óptica. Sou eu, ponto objeto, foco unitário na imensidão que você insiste em transpassar por mim.
Do azul, carrego tristeza. Do roxo, um hematoma em meu peito. Do amarelo, a luz de seus olhos. Do verde, a trégua. Laranja, monotonia. O rosa do amor. Do vermelho, desejo sem freio, prefiro esquecer, já que dele me lembro e também me corto: vermelho-sangue.
Pudera, seria opaco. Convergência de cores. Absorção total. Como tu és para mim. Porque de nada adianta refletir mil cores se não sei usar minha aquarela. Preto no branco.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
descobrir-se.
Aqui assumo todas as minhas fraquezas. Meu choro fácil, meu riso também fácil. Minha maneira de não disfarçar a inquietude dentro de mim. A indignação com a quietude da vida. Aqui, em palavras, despeço-me de qualquer peça de vestuário, literaturas, discos e e canções. Sou eu, no meu maior grau expositivo, na ânsia da cara a tapa. Envolvo-me novamente entre carapaças, fragmentos do eu de outrora para tentar despir-me repetidas vezes. Procuro elementos que já não mais existem. Sou plena transformação. Informações úteis de tempos atrás agora são panfletos amassados em vias públicas. Jornal de dejetos caninos. Conversas, cervejas, resoluções e planos não entram mais nessa descoberta. Preciso de mim, pleno, nesse instante único. Preparo-me para um salto num buraco sem fim. Um afundamento de identidades, conceitos, preconceitos (sim, os tenho, como qualquer ser humano os tem). Até que ponto cabe o mergulho? Até onde ir, no que pensar? Talvez seja melhor um não-pensar. Um refluxo: vômito de pensamentos para longe, além de mim e da minha capacidade de recuperá-los. Deglutição forçada pode ocorrer, mas não me apresso. Espero calado dia da nova fórmula de pensamentos. Aliás, esses são que nem comida: necessitamos, mas muitas vezes não queremos. Engolimos, sem nenhum refresco de ilusão. Por fim, descubro meu medo, desvio de minhas fraquezas. Visto-me com a roupa das mais finas aparências. Encaro cervejas, conversas e já não sou eu novamente. Vida que segue.
Assinar:
Postagens (Atom)