Chego no hospital ainda dormindo. Caminho pelo vazio saguão, incrivelmente frio nesse lugar geralmente um tanto quanto, digamos, aquecido. Subo o elevador, sempre vazio (a essa hora) e cruzo um escuro corredor, com alguns poucos afortunados como eu, no amanhecer. De repente, eu e ele. Um na frente do outro. Os dois, dormindo. Algumas poucas palavras já suficientes para saber de uma boa noite de sono ou de algumas dores ou vômitos habituais num pós operatório rebuscado. Viro-me e num (longo) piscar de olhos vejo um monitor com números, com contas, com sondas, com sono. Eu e o computador. Eu e o paciente separados, outrora pelo sono, agora por tela. Por números, por sono, pelo primeiro café na estreita copa. Sempre parece-me proibido roubar, digo, pegar o café daquele local. Aventais brancos assustam as pessoas, sem a menor necessidade. Não as culpo, claro. Afinal arrogância é prato que se come todos os dias naquele lugar. Mas isso não era privilégio daquele andar. Esse circunda todos os longos sete andares daquele prédio. Há quem tente mudar. Alívio. Continuo e de repente uma pergunta, um questionamento. Uma boa resposta e, novamente, o breve sono acomete-me. Sem café, agora o álcool. Nas mãos, claro. Uma borrifada na entrada, uma borrifada na saída. Protocolo médico, em minha opinião. Acredito que de meus colegas, sonolentos colegas aquele horário, pensem o mesmo. Percorro alguns quartos, viro-me, prescrevo-me alta e vou para casa. Evoluindo.
...entrei aqui pra comentar... ia falar que tá lindo...mas não sei se esta é a palavra que procuro...incrivelmente consegui visualizar toda esta cena...não sei qual a minha opinião...gostei muito mas...esta cena não sai da minha cabeça...isso é bom ??? rssrs
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